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A mostrar mensagens de 2013

Bom descanso de Natal

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Chegou a altura de professores e alunos fazerem uma pausa nas actividades lectivas. Fazemos votos de que seja bem aproveitada. Não só os alunos, mas também os professores, precisam e merecem esta pausa.

Quanto ao silêncio dos últimos dias neste blogue, deve-se apenas ao intenso trabalho que estamos a desenvolver para que o futuro 50 LF do 11º ano não vos deixe decepcionados.

Entretanto, aqui vos deixamos uma bonita canção de Natal.


Filosofia da ciência nas livrarias

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Já se encontra nas livrarias a Introdução à Filosofia da Ciência, de Lisa Bortolotti, que já aqui tínhamos anunciado. É, sem dúvida, um excelente instrumento de trabalho e um bom apoio para os professores que leccionam o 11º ano.

Falácias por correio electrónico

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Os professores que trabalham com 50 LF nas suas escolas (bem como os que trabalham com A Arte de Pensar, 11º Ano) devem ter recebido hoje, nas suas caixas de correio electrónico, material adicional sobre falácias formais e informais. Como é sabido, os manuais do 11º ano foram publicados antes das orientações que estabeleceram as falácias que podem ser objecto de avaliação em exame nacional e que, só por coincidência, seriam exactamente as mesmas que se encontram nos manuais. Por isso, decidimos complementar essa parte do manual A Arte de Pensar, 11º ano, para enviar para os professores. O material, enviado directamente pela Didáctica Editora em formato pdf, explica a diferença entre falácias formais e informais, inclui exemplos das seis falácias informais referidas nas orientações, além de uma actividade de consolidação. Esperemos que seja útil.


Desobediência civil no Brasil

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O 50 Lições de Filosofia é usado em várias escolas brasileiras, e também na preparação universitária de futuros docentes do ensino secundário. Estes diapositivos são a adaptação para a realidade brasileira do tema da desobediência civil, apresentado no 50LF. A adaptação é da autoria de Vinícius Santos, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Serão certamente úteis para outros colegas brasileiros e portugueses.


Webfólio

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Acabei de ler uma simpática e entusiasmada recensão breve do nosso 50LF, da colega Juana Inês Pontes, no seu Webfólio. Ficamos muito agradecidos pelas suas palavras, que são um estímulo para tentarmos fazer melhor. Obrigado, Juana, esperamos merecer as suas simpáticas palavras!

Popper e a ciência: a teoria na prática

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Acabou de ser publicado entre nós um daqueles livros que é capaz de pôr muita gente entusiasmada a pensar sobre o modo como a ciência, a filosofia, e mesmo a história e a arte se relacionam. Trata-se do aclamadíssimo O Início do Infinito, do premiado físico inglês, de origem israelita, David Deutsch. O livro foi traduzido para a Gradiva por Florbela Marques, com revisão de Carlos Fiolhais. 
Deutsch é um físico com um grande pendor filosófico e que sabe lidar com grandes ideias, não necessariamente novas, mas de uma forma inovadora e desafiante. No fundo, o que Deutsch faz neste livro é dar um novo fôlego às ideias de Popper sobre a ciência, procurando mostrar como a prática científica concreta as tem corroborado. Como Popper, Deutsch opõe-se ao empirismo e ao indutivismo. É um livro de leitura compulsiva e pode ser também muito útil para nós professores, que ensinamos e discutimos nas aulas do 11º ano a perspectiva popperiana sobre a ciência. Segue-se um pequeno excerto do livro para…

Kant, um filósofo da minha cidade

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Kant é um filósofo que dispensa apresentações. Mas poucos de nós conhecem Königsberg, a cidade onde ele sempre viveu. Königsberg é hoje uma cidade russa e chama-se Kaliningrado. Para mim, que vim de Kaliningrado, onde passei vários anos da minha vida, é enorme a curiosidade sobre como era a “minha cidade” no tempo de Kant.
Desde sempre Königsberg representou um atractivo para muitos povos. Noventa por cento do âmbar mundial encontra-se nesta região. Vários metais são obtidos aqui e a cidade também possui uma saída para o Mar Báltico, que sempre foi muito importante. Fundada em 1255 pelos Cavaleiros Teutónicos sob o nome de Königsberg (montanha do rei), fez parte da Polónia de 1466 até 1656. Foi a capital da Prússia, e a partir de 1871 fez parte do Império Alemão.
Mas voltando a Kant, ele foi um respeitado e destacado professor na Universidade de Königsberg, onde permaneceu durante quase toda a sua vida. Após a sua morte, como um magnífico professor e um importante filósofo, foi sepulta…

III Olimpíadas Nacionais de Filosofia

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As inscrições de candidatura para as III Olimpíadas Nacionais de Filosofia estão abertas até ao dia 14 de Janeiro de 2014. As Olimpíadas terão lugar nos dias 7 e 8 de Março de 2014 na Escola Secundária de Paços de Ferreira.


Podem inscrever-se como candidatos às Olimpíadas apenas alunos do ensino secundário, acompanhados por um professor de Filosofia da sua escola. Mais pormenores sobre as inscrições podem ser encontrados aqui.
As XXII Olimpíadas Internacionais de Filosofia de 2014 irão, por sua vez, decorrer em Vilnius, na Lituânia, entre os dias 15 e 18 de Maio.

Errata actualizada

A errata acabou de ser actualizada, com uma correcção para a página 41 (Lição 10), desta vez enviada por Carlos Pires, professor da E. S. Pinheiro e Rosa. E, já agora, autor, juntamente com Sara Raposo, do excelente blogue Dúvida Metódica. Obrigado, Carlos Pires.

Filosofia da ciência para o Natal

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aqui falámos deste excelente livro. A partir do dia 29 deste mês de Novembro começará a estar disponível nas livrarias. Se neste tempo de crise alguém ainda conseguir deixar algum dinheiro de lado para comprar livros, esta é, sem dúvida, uma boa sugestão. 
Citando o destacado filósofo da ciência David Papineau, pode-se dizer que «sem pressupor qualquer conhecimento prévio quer de filosofia quer de ciência, [...] este livro é a primeira abordagem ideal para quem quer compreender a relação entre a teorização científica e a realidade.»

O belo e o sublime

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Sublime, belo, ou nem uma coisa nem outra?
Outra vez o belo e o sublime. Outra vez um autor setecentista. Quem será o autor do texto abaixo?

Grandes carvalhos e recantos com sombras num bosque sagrado são sublimes; tapetes de flores, sebes baixas e árvores com figuras talhadas são belas. A noite é sublime, o dia é belo. Na tranquilidade da noite estival, quando a luz bruxuleante das estrelas penetra a escuridão da noite que acolhe em si a lua solitária, nas almas que possuem o sentimento do sublime despertará a pouco e pouco um sentimento de amizade, de desprendimento do mundo e de eternidade. O dia radioso infunde uma diligência activa e proporciona um sentimento de alegria. O sublime comove, o belo encanta. A expressão de um homem dominado pelo sentimento do sublime é séria e, por vezes, perplexa e com assombro. No caso do sentimento do belo, porém, ela anuncia-se por meio de uma satisfação cintilante no olhar, por traços risonhos, e com frequência por manifestações de alegria. [...…

Extensão e intensão de conceitos

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Ensina-se por vezes aos alunos a ideia de que a intensão e a extensão dos conceitos se relaciona do seguinte modo:
Quanto maior for a especificidade de um conceito, menor é a sua extensão;Quanto menor for a especificidade de um conceito, maior é a sua extensão;Quanto maior for a extensão de um conceito, menor é a sua especificidade;Quanto menor for a extensão de um conceito, maior é a sua especificidade. Usei "especificidade" para não falar de maior e menor intensão porque esta, ao contrário das extensão, não tem tamanho, não é uma entidade discreta que possa ser maior ou menor.

Tendo estas quatro ideias em mente, pede-se por vezes aos alunos para ordenar conceitos pela sua extensão ou intensão. O primeiro aspeto deste tipo de exercício é que nenhuma competência lógica ou filosófica estamos a testar nos alunos. Ordenar extensionalmente a lista de conceitos "ser humano, português, lisboeta", por exemplo, exige competência em geografia humana, mas não em filosofia ne…

Um clássico da estética

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Foi recentemente publicada a tradução portuguesa de um clássico da estética setecentista. Trata-se de Uma Investigação Filosófica Acerca da Origem das Nossas Ideias do Sublime e do Belo (Edições 70), do político e filósofo irlandês Edmund Burke. 
A tradução deste clássico do «século do gosto», como alguns historiadores da estética chamam ao século XVIII, esteve a cargo de Alexandra Abranches, Jaime Costa e Pedro Martins. Parece uma tradução cuidada e competente, contando também com uma introdução de Alexandra Abranches.
Esta obra é conhecida sobretudo por ter introduzido a distinção entre as categorias estéticas do belo e do sublime, tendo influenciado claramente Kant e outros filósofos.
A ideia que levou Burke a escrever este livro parte, nas próprias palavras do autor, da observação de «que as ideias do sublime e do belo eram frequentemente confundidas e ambas eram indiscriminadamente aplicadas a objectos que diferiam muito, e às vezes de natureza directamente oposta.» (p. 23)
A ca…

Soluções das questões de revisão

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Alguns professores escreveram-nos a lamentar o facto de não darmos as soluções para as questões de revisão que se encontram no fim de cada lição do manual 50LF. Não o tínhamos feito porque nos parecia desnecessário, dado que procurámos fazer perguntas simples e directas, cujas respostas se encontravam facilmente na própria página ou, no máximo, duas páginas atrás. 
Contudo, se alguns professores nos diziam que teria sido melhor dar as soluções no Livro de Apoio, então talvez fossemos nós, autores, que estávamos a ver mal as coisas. Fomos, por isso, ver melhor e concluímos que esses professores têm razão: apesar de, na maior parte dos casos, se encontrarem respostas fáceis no próprio texto das lições, há algumas questões em que isso não acontece, tendo nós próprios, professores, de perder mais tempo do que seria de esperar para encontrar a solução.
Assim, decidimos incluir no manual digital, junto das questões de revisão de cada lição, as respectivas soluções. As soluções das primeira…

Planificações para o 2º período

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As tradicionais planificações para o segundo período (10º ano), mais precisamente sobre ética e filosofia política, estão já disponíveis no manual digital, na página 241. Mais uma vez se recorda que todos os professores das escolas que adoptaram 50LF, e só esses, têm completo acesso ao manual digital.

Uma apresentação radiofónica de O QUE É A ARTE?, de Tolstói

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Pode clicar na imagem para ouvir uma apresentação do célebre ensaio filosófico de Tolstói, feita aos microfones da TSF por Carlos Vaz Marques, na rubrica O Livro do Dia.

Outra apresentação do livro pode ser lida aqui.

Errata

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Alguns leitores já se devem ter dado conta da nova secção, intitulada Errata, que acrescentámos a este blogue. As gralhas e os erros são para corrigir, como é nossa obrigação. Claro que tivemos todo o cuidado para os evitar, mas há quase sempre pormenores que acabam por nos escapar. Por isso apelamos aos utilizadores do 50LF que não deixem de estar atentos e que nos reportem qualquer erro ou gralha que eventualmente venham a encontrar. Cá estaremos para dar conta disso e os corrigir.

Novidades na net

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Um novo blogue de filosofia destinado a alunos do secundário surgiu recentemente na net. Trata-se de Filosofia na ESAS, um blogue de apoio aos alunos, que complementa com materiais adicionais (alguns dos quais originais) o manual adoptado na E. S. Alberto Sampaio, precisamente 50LF. O seu principal responsável é o professor António Padrão.

Inferências: agora com exemplos

Aqui ficam os exemplos de inferências referidas no esquema apresentado no post anterior.



Vale a pena acrescentar quatro notas.
A primeira é que os termos «argumento», «inferência» e «raciocínio» são aqui usados aproximadamente como sinónimos. Há quem possa fazer aqui distinções subtis, mas não nos parecem didacticamente relevantes neste contexto.
A segunda é que há diferentes formas de classificar as inferências, sendo esta apenas uma delas. Por exemplo, a distinção entre inferências semânticas e conceptuais pode ser disputada. Todas as classificações têm vantagens e desvantagens. Esta não foge à regra. Contudo, algumas classificações são didacticamente indispensáveis. Neste caso, é importante fazer distinções pela razão simples de que diferentes tipos de inferências são avaliados de maneiras diferentes. Se não soubermos que tipo de inferência temos pela frente, torna-se mais difícil determinar se ela é ou não uma inferência válida (ou boa, ou forte). E é mais difícil ainda mostrar p…

Inferências

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Há várias maneiras aceitáveis de inferir conclusões a partir de premissas. Algumas dessas inferências são dedutivamente válidas e outras não. Importa, pois, compreender os diferentes tipos de inferência, uma vez que o modo como se avaliam as inferências depende do tipo de inferência em causa. Basta pensar que uma inferência pode não ser dedutivamente válida e, ainda assim, ser uma boa inferência.
Aqui fica um esquema com os principais tipos de inferência. Resta fazer uma caracterização de cada um deles, de modo a podermos avaliar cada caso.


Livre-arbítrio, por Peter van Inwagen

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Eis a mais recente entrevista da série No Jardim da Filosofia, desta vez com Peter van Inwagen, que é um dos mais destacados filósofos contemporâneos em áreas como a metafísica e a filosofia da religião. O seu contributo para a discussão contemporânea do problema do livre-arbítrio é amplamente reconhecido, nomeadamente com a sua original defesa do incompatibilismo.

Inspetores de circunstâncias ou tabelas de verdade?

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Imagine-se o que seria ensinar lógica sem um termo específico para o conceito de raciocínio. Seria possível? Sim, claro. Apenas seria desnecessariamente mais difícil. Sempre que quiséssemos falar de raciocínio, teríamos de dizer apenas “sequência de proposições” — subentendendo, claro, que nem todas as sequências de proposições são raciocínios.

A vantagem de um termo específico para o conceito de raciocínio é precisamente o facto de os raciocínios terem propriedades que as proposições não têm, e vice-versa: os raciocínios são válidos ou inválidos, mas não verdadeiros ou falsos, e as proposições são verdadeiras ou falsas, mas não válidas ou inválidas. Um raciocínio é uma sequência de proposições, tendo propriedades que dizem respeito à estrutura dessa sequência, e não a cada uma das proposições que a compõem. Tudo isto é apenas um aspecto da elementar distinção entre validade e verdade, e não é arriscado supor que é consensual.

Todavia, o caso muda de figura quando falamos de inspetor…

As disciplinas da filosofia

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Acabámos de inserir no manual digital um PowerPoint com 38 slidesque apresentam aos estudantes, de modo sintético e simples, algumas das disciplinas da filosofia. Para ver uma breve amostra clique na imagem:

Bertrand Russell

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"Há um velho debate entre filósofos sobre a questão de saber se a dedução alguma vez fornece conhecimento novo. Podemos agora ver que fornece, pelo menos em certos casos. Se já sabemos que dois e dois são sempre quatro, e se sabemos que Brown e Jones são dois, assim como Robinson e Smith, podemos deduzir que Brown e Jones e Robinson e Smith são quatro. Isto é conhecimento novo, que não está contido nas nossas premissas, porque a proposição geral «dois e dois são quatro» nunca nos disse que há pessoas como Brown e Jones e Robinson e Smith, e as premissas particulares não nos dizem que há quatro deles, ao passo que a proposição particular deduzida diz-nos efectivamente estas duas coisas." Bertrand Russell, Os Problemas da Filosofia, 1912.

Acesso ao manual digital

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Temos a informação de que tem havido uma grande quantidade de pessoas a registar-se para aceder ao manual digital, muitas das quais não o têm conseguido.

A razão é simples. Só mesmo os professores de Filosofia que leccionam em escolas que escolheram trabalhar com 50LF poderão aceder ao manual digital, com todos os materiais que temos produzido.

No momento em que os colegas se registam, escolhem a sua palavra-chave. A partir daí, caso sejam reconhecidos pelo sistema como adoptantes do 50LF, poderão entrar no manual digital sempre que quiserem.

Continuaremos a dar apoio e a disponibilizar materiais adicionais aqui no blogue, mas alguns textos mais longos, as tabelas, as apresentações e alguns vídeos terão de ficar, por razões óbvias, apenas no manual digital.

Seja como for, se tiverem alguma dúvida, estamos sempre ao dispor.

Novidade editorial... para breve

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Está para breve a publicação, na colecção Filosofia Aberta (Gradiva), da Introdução à Filosofia da Ciência, da filósofa italiana Lisa Bortolotti. Como seria de esperar, o livro apresenta e discute questões relativas à ciência, que são leccionadas no 11º ano. Para dar uma ideia, deixo aqui o início do capítulo 5, sobre a questão da racionalidade científica e do progresso na ciência.

O êxito da ciência é muitas vezes celebrado como a mais extraordinária conquista humana. Contudo, vimos que é difícil assinalar o que a ciência tem de especial: as generalizações indutivas subjacentes à prática da ciência são falíveis; o método usado pelas ciências não pode ser facilmente explicado de uma maneira única e distintiva; uma teoria científica não tem de ser verdadeira ou de nos apresentar uma descrição precisa da realidade para receber confirmação empírica, para ser empregue na explicação ou para funcionar como um instrumento de previsão eficaz. À luz destes debates, a questão de saber se temos …

Planificações

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Além das indicações aula a aula que se encontram no Livro de Apoio ao professor, os colegas que trabalham com 50LF passam a ter também disponíveis as tradicionais planificações, com quadros relativos a cada unidade do programa. Os quadros com as planificações poderão ser editados pelos professores, caso queiram introduzir alguma alteração ou fazer adaptações (por exemplo, adicionar outros recursos). 
Para terem acesso às planificações basta irem ao manual digital (têm de fazer antes o registo, mas só da primeira vez) e lá encontrarão, na página 240, as planificações para o primeiro período (unidade inicial, acção e livre-arbítrio, valores), que correspondem a 33 aulas. As planificações para o segundo e terceiro períodos seguem a mesma estrutura e serão disponibilizadas oportunamente.
Apesar de alguns grupos não usarem este tipo de planificações, pensamos que podem ser úteis para muitos outros.

Ensinar a filosofar

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Está já disponível no manual digital (página 240) um artigo intitulado "Ensinar a Filosofar", que escrevi para um livro que será lançado em breve no Brasil. Talvez o artigo seja esclarecedor para os professores, uma vez que explicita a concepção kantiana de ensino do filosofar que subjaz ao 50LF. Eis o começo do artigo:
No contexto escolar e universitário em que nos encontramos, os professores de filosofia estão institucionalmente obrigados a avaliar os alunos. Contudo, é a filosofia, pela sua própria natureza, compatível com a avaliação? A primeira parte deste artigo esclarece sob que pressupostos se rejeita a avaliação, ainda que estejamos institucionalmente obrigados a simulá-la, e sob que pressupostos a avaliação é parte integrante do ensino da filosofia.  A segunda parte do artigo apresenta uma concepção do ensino e da avaliação da filosofia que leva a sério a ideia de ensinar a filosofar, sendo a avaliação rigorosa uma parte própria deste processo e não uma mera forma…

Novo ano escolar

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Esperamos que os colegas e estudantes tenham tido umas boas férias de Verão — eu no Brasil ainda não tive as minhas férias de Inverno (começam daqui a duas semanas). Estivemos parados aqui no blog de apoio ao 50LF, mas agora é tempo de retomar os nossos trabalhos. Todas as sugestões são bem-vindas!

O nosso objectivo aqui é dar apoio aos professores e alunos que usam o 50LF. Faremos este trabalho acompanhando o ritmo da leccionação das matérias. Mas porque os ritmos diferem ligeiramente, qualquer professor pode contactar-nos dizendo que entrou já numa dada matéria e deseja alguma orientação nossa. O que faremos aqui é indicar a publicação de vários materiais didácticos, de reflexão e outros que complementem o 50LF; todos esses materiais são publicados no espaço do manual digital, cuja ligação directa está já disponível no menu superior. Evidentemente, só os professores que adoptaram o 50LF têm acesso ao manual digital e a todos os materiais que continuaremos a acrescentar a este inova…

Encontro de professores de Filosofia com... o filósofo Simon Blackburn

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Simon Blackburn é um filósofo que dispensa apresentações. Os seus livros são usados e citados por muitos professores e manuais portugueses. Todos os que se interessam pelo que Blackburn escreve vão poder ouvi-lo, conversar e discutir com ele já no próximo dia 6 de Setembro, em Coimbra.
Blackburn é o convidado internacional do 11º Encontro Nacional de Professores de Filosofia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Filosofia e, nesta edição, em colaboração com o Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 
O tema geral do Encontro, que irá decorrer nos dias 6 e 7 no Teatro Paulo Quintela, é «O Estatuto da Filosofia na Escola».

Filosofia antiga: catorze séculos de filosofia

Catorze séculos... sem contar com as sementes que continuam a dar frutos. Mais uma entrevista da série No Jardim da Filosofia.
A propósito, vale a pena continuarmos atentos à tradução em curso da obra completa de Aristóteles, coordenada precisamente por António Pedro Mesquita.

A priori outra vez

Os comentários de Eduardo e Luísa à minha última nota fizeram-me pensar que talvez seja uma boa ideia esclarecer melhor os conceitos de a priori e a posteriori.

A primeira coisa a notar é que o conhecimento, seja a priori ou a posteriori, é sempre uma relação entre um sujeito cognitivo e o que é conhecido. O que é conhecido tanto pode ser 1) uma prática, como andar de bicicleta, caso em que se trata de saber-fazer, 2) coisas, como a Ponte da Arrábida ou 3) verdades, como que a Ponte da Arrábida fica no Porto.

Uma vez que é o conhecimento que é a priori ou a posteriori, rigorosamente falando as proposições não são a priori nem a posteriori. O que acontece é que podemos falar algo informalmente e dizer que uma dada proposição é a priori, quando o que queremos dizer é que qualquer agente cognitivo mais ou menos como nós consegue saber tal proposição a priori. Assim, este é o primeiro aspecto a notar: rigorosamente falando, as proposições não são a priori nem a posteriori, pois é a relaç…

Preparar o 11º ano: teoria do conhecimento

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É já no final deste mês que será publicada esta excelente Introdução à Teoria do Conhecimento, de Dan O'Brien, na colecção Filosofia Aberta (Gradiva). É uma introdução contemporânea, mas historicamente informada, além de muito rigorosa e abrangente. Depois de, nos últimos tempos, ter lido uma boa dezena de outras introduções a esta disciplina central da filosofia, parece-me que esta de Dan O'Brien é a mais adequada para o público português. 
Como seria de esperar, o livro inclui capítulos sobre a própria definição do conhecimento, sobre as fontes do conhecimento, sobre a justificação e sobre o cepticismo (em particular a discussão dos argumentos cépticos avançados por Descartes), que são temas centrais do programa do 11º ano de Filosofia. 
Mas também tem um capítulo inteiro sobre o problema da indução, tanto na formulação tradicional de Hume como na do chamado «novo enigma da indução», formulado por Nelson Goodman. Como sabemos, o problema da indução é um problema epistémico …

Confusão a priori

O conceito de a priori tende a gerar algumas confusões. Vejamos se podemos esclarecer as coisas.

Em primeiro lugar, trata-se de um conceito que diz respeito ao modo como justificamos crenças; como não temos apenas crenças verdadeiras, uma vez que não somos omniscientes, segue-se que o a priori não é incompatível com a falsidade. Por exemplo, quando nos enganamos ao fazer uma conta de cabeça, formamos uma crença a priori mas falsa.

Contudo, se falarmos de conhecimento a priori em vez de falarmos de crenças, é evidente que todo o conhecimento a priori é conhecimento de verdades. Mas isto é só porque todo o conhecimento é factivo, seja ele a priori  ou a posteriori. Se alguém sabe realmente algo, segue-se que isso que essa pessoa sabe é verdadeiro,  e esse conhecimento tanto pode ser a priori como a posteriori.

Em segundo lugar, quando se afirma que a filosofia é uma disciplina a priori, como a matemática, isto não significa que em filosofia se despreza a informação empírica. O que si…

Raciocínio indutivo

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Eis o que se pode ler, a propósito do raciocínio indutivo, na excelente introdução à teoria do conhecimento de Dan O'Brien, que será publicada muito brevemente na colecção Filosofia Aberta.
É importante notar que este tipo de raciocínio é muitas vezes apresentado como relativo apenas ao nosso conhecimento do futuro, o que não é correcto. Os argumentos indutivos dizem respeito ao futuro, ao presente e ao passado. Consideremos os seguintes argumentos:
O FuturoPremissa: O sol nasceu todos os dias da minha vida.                 Conclusão: O sol vai nascer amanhã.
O PresentePremissa: Toda a neve que eu já vi é branca.                      Conclusão: Toda a neve que existe agora é branca.  O Passado Premissa: Todas as maçãs que eu comi continham caroços.                 Conclusão: A maçã que Guilherme Tell alvejou continha caroços.

Filosofia em Directo oferecido no Pingo Doce

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A cadeia de supermercados Pingo Doce está a fazer uma promoção nacional: em compras no valor igual ou superior a 40 euros que inclua pelo menos um livro, o cliente tem direito a escolher dois livros de oferta; dos quatro livros que o leitor pode escolher, um deles é o meu Filosofia em Directo. A promoçãoprolonga-se até ao dia 4 de Julho.

O que é a filosofia?

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Conhecimento verdadeiro?

Será possível saber que está a chover quando não está a chover? A resposta razoável é que não. E porquê? Porque a afirmação "Sei que está chover" implica que está a chover. É isto que significa dizer que o conhecimento é factivo.
Contudo, é evidente que muitas vezes pensamos que sabemos algo, mas estamos enganados: não sabemos o que julgávamos saber. Sócrates até considerava que era muitíssimo mais sábio do que os seus compatriotas porque estes pensavam saber quando não sabiam, ao passo que Sócrates sabia que não sabia. É a isto — julgar que sabemos quando não sabemos — que muitas pessoas sem formação filosófica chamam conhecimento falso; esta expressão, contudo, além de ser filosoficamente pouco rigorosa, é didacticamente desastrosa porque dá ao aluno a ideia errada de que há dois tipos de conhecimento: o verdadeiro e o falso. Ora, a verdade é que ou há conhecimento ou não há conhecimento, e quando há é sempre conhecimento de verdades, e quando não há, não se trata de conh…