Aristotélica ou silogística?


Perguntou-nos um colega se não devíamos chamar "lógica silogística" ao que, no programa de Filosofia, se chama "lógica aristotélica". Aproveitamos para partilhar com todos a nossa resposta, pois pode haver mais interessados no assunto.

Antes de mais, convém sublinhar que não se trata de uma questão que tenha implicações no cumprimento do programa, como não tem implicações diretas na prática letiva com os nossos alunos. Todavia, quando ensinamos algo, é importante ter em conta alguns aspetos que vão para além disso, pois permitem-nos ter uma compreensão mais alargada do que se ensina e, consequentemente, uma maior segurança pedagógica.

Voltando à pergunta colocada, todos sabemos que o estudo da lógica começou com Aristóteles. Ora, embora a lógica de Aristóteles não se reduza à teoria silogística, esta é seguramente a sua parte mais importante. De resto, a teoria silogística continuou a ser desenvolvida depois de Aristóteles, tendo-lhe sido posteriormente acrescentados alguns aspetos que o fundador da lógica não considerava. 

Para dar um exemplo bem conhecido, Aristóteles apenas considerava três figuras do silogismo. A muito discutida quarta figura só foi introduzida já depois de Teofrasto estar à frente do Liceu ateniense. 

Assim, ao ensinarmos as quatro figuras do silogismo, estamos a ensinar algo que, em rigor, não faz totalmente parte da lógica de Aristóteles. Por isso, seria talvez mais correto dizer que se ensina lógica silogística. 

Contudo, podemos admitir que a designação "lógica aristotélica" refere simplesmente a lógica de matriz aristotélica, ainda que desenvolvida por outros que se lhe seguiram. Nesse caso, não parece totalmente desajustado chamar-lhe "lógica aristotélica".

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