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Formas lógicas inválidas

Quando temos uma forma lógica válida, como o modus ponens, todos os argumentos que tiverem essa forma lógica serão válidos. Se exprimirmos o modus ponens na sua máxima generalidade, com variáveis de fórmula (Se A, então B; A; logo, B), isso significa que por mais complexos que sejam os argumentos, serão válidos. E o mesmo acontece com as formas lógicas menos gerais que tiverem essa configuração geral:

(p ∧ r) ➝ (r ∧ p)
p ∧ r
∴ r ∧ p

Contudo, quando uma forma lógica é inválida isso significa apenas que alguns argumentos com essa forma lógica são inválidos — e não todos. E se exprimirmos uma forma inválida com variáveis de fórmula (Se A, então B; B; logo, A), isso significa que algumas formas lógicas mais particulares que tenham esta configuração geral serão inválidas, mas não todas:

(p ∧ r) ➝ (r ∧ p)
r ∧ p
∴ p ∧ r

Esta forma lógica tem a configuração geral da falácia da afirmação da consequente, mas é válida.

Talvez isto seja surpreendente para algumas pessoas. Sempre que uma forma lóg…

Moral kantiana: uma precisão

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A Lição 18 do manual do 10.º ano, intitulada "Kant e a vontade boa" (pp. 76-78) apresenta a distinção kantiana entre as ações que são contrárias ao dever e as ações que estão de acordo com o dever, sendo que estas se dividem, por sua vez, entre as que são meramente conformes ao dever e as que são realizadas por dever (ver esquema da p. 78). 
Como aí se explica, só as ações que são realizadas por dever têm valor moral. Mas daí não se segue que aquelas que são meramente conformes ao dever sejam moralmente incorretas (ou imorais), pois as ações que não são moralmente corretas podem também, de acordo com Kant, não ser moralmente incorretas. 
Apesar de isto estar devidamente apresentado nessa lição e de ser consistente com o que se diz nas lições seguintes, há na p. 77 uma imprecisão claramente infeliz e enganadora, que deve ser corrigida. Aí se diz, a propósito do conhecido exemplo kantiano do comerciante, que ações como a de não enganar os clientes por medo de ser apanhado são…

Informação-Prova para o exame nacional de Filosofia de 2016

Foi publicada há dias na página do IAVE a Informação-Prova para o exame de Filosofia de 2016 (clicar AQUI).
Uma primeira leitura permite concluir que é praticamente igual à do ano passado, pelo menos no que diz respeito à caracterização da prova e à lista de conteúdos a avaliar.

Um guião para O Homem da Terra

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aqui sugerimos e fizemos uma breve apresentação deste filme. Apresentamos agora uma proposta de guião para eventual uso nas aulas de Filosofia.

Título original: Man from Earth Ano: 2007 País: EUA Realização: Richard Shenkman Argumento: Jerome Bixby Música: Mark Hinton Stewart Actores: David Lee Smith, Tony Todd, John Billingsley, William Katt, Ellen Crawford, Alexis Thorpe, Annika Peterson, Richard Riehle.
CURIOSIDADES O filme é de muito baixo orçamento e passa-se quase todo numa sala, sendo por vezes comparado, nesse aspecto, a Doze Homens em Fúria, de Sidney Lumet. O realizador nem sequer chegou a encontrar-se pessoalmente com o autor da música, Mark Hinton Stewart, que é inglês e vive em Inglaterra. Apenas falou com ele várias vezes por telefone, dando-lhe as indicações que achava necessárias.
O argumentista Jerome Bixby é o mesmo que escreveu boa parte dos episódios de O Caminho das Estrelas (Star Trek) e de A Quinta Dimensão (The Twilight Zone). Vários actores entraram também na série O …

Duas sugestões

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Um pouco em cima da hora, aqui fica uma sugestão já para amanhã: o lançamento do livro Por Amor à Sabedoria, de João Carlos Silva, na Livraria Desassossego, em Lisboa. Mais pormenores aqui

No início do próximo mês, o Páginas de Filosofia lança uma nova iniciativa no sentido da promoção do debate filosófico, criando a primeira Comunidade de Leitores de Filosofia (CLF) online em língua portuguesa.
Todos estão convidados a participar. O primeiro livro a ser debatido é Escritos Sobre uma Vida Ética, de Peter Singer e o início da discussão online está agendado para dia 4 de Outubro. Podem aceder aqui.

Exame nacional de Filosofia: época especial

Aqui está a prova da época especial de 2015 do exame nacional de Filosofia e os respetivos critérios de classificação.

Professores em Lisboa e com Aristóteles no Algarve

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Um bom reinício das atividades para todos os professores e leitores deste blogue.
Como já vem sendo habitual, o ano começa com o Encontro Nacional de Professores de Filosofia, já na sua 12.ª edição, decorrendo hoje e amanhã na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.


A conferencista internacional convidada é Adela Cortina, da Universidade de Valência, e as conferencistas nacionais convidadas são Luísa Ribeiro Ferreira (U. Lisboa) e Irene Borges Duarte (U. Évora).
Alguns dias depois, mais a sul, tem lugar na Universidade do Algarve (Faro) o seminário anual da Sociedade Ibérica de Filosofia Grega, dedicado aos fragmentos e obras perdidas de Aristóteles.


Os oradores são António Pedro Mesquita (U. Lisboa), Tomás Castro (U. Lisboa), Juan de Diós Bares (U. Valência), Carlos Martins de Jesus (U. Coimbra), José Maria Zamora (U. Autónoma Madrid) e António Caeiro (U. Nova Lisboa). É no dia 18 de setembro e o acesso é livre.

Umas cosmicomix férias

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Este blogue, como provavelmente a maioria dos seus leitores, vai de férias. Desejamos, por isso, umas boas férias a todos. Umas boas férias incluem também boas e agradáveis leituras. Aqui fica uma sugestão, que é simultaneamente uma excelente novidade editorial: Cosmicomix: À descoberta do Big Bang (Gradiva), do astrofísico Amedeo Balbi e do artista de banda desenhada Rossano Piccioni.
Os leitores do aclamado Logicomix já sabem com o que contar, pois trata-se do mesmo conceito e do mesmo formato, desta vez sobre as origens do Universo.

Até setembro, provavelmente com nova cara.

O que nos mostra a história da matemática sobre mudanças de paradigma?

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Diz a lenda que o oráculo de Apolo previu uma vez que uma praga cessaria se um certo altar fosse duplicado em tamanho, mantendo a sua forma [cúbica]. Se os cidadãos preocupados tivessem aumentado cada aresta do altar em um terço, o resultado seria um objecto aproximadamente 2,37 vezes o tamanho do objecto original. Pensar-se-ia que o deus ficaria agradado com estes adicionais 37%, mas a lenda é que a praga continuou depois de duplicarem cada aresta do altar, aumentando oito vezes o seu tamanho. Se os cidadãos aumentassem os lados originais em 26%, o altar ficaria aproximadamente 2,0004 vezes o seu volume original. Isto agradaria certamente ao deus. A diferença entre duas vezes o tamanho e 2,0004 vezes o tamanho não é detectável experimentalmente, pelo menos pelos seres humanos. Todavia, os matemáticos Gregos assumiram a tarefa de duplicar exactamente o tamanho do altar. Eles não estavam interessados numa aproximação, por melhor que pudesse ser. Esta questão “prática” de prevenir…

CLEF

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Para portugueses e brasileiros. Vale a pena espreitar (ou dar uma olhada, como dizem os nossos amigos brasileiros) e colaborar. (clicar na imagem para ir para a página do CLEF)

Exame, 2.ª fase

Foi realizada ontem a prova de exame nacional de Filosofia, da 2.ª fase. A prova pode ser consultada aqui e os respetivos critérios de classificação aqui.

O método socrático, a matemática e o método platónico

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Eis uma excelente novidade editorial: Filosofia da Matemática, do reputado filósofo Stewart Shapiro, com tradução e notas do Professor Augusto Franco de Oliveira, para a coleção O Saber da Filosofia, das Edições 70. É um livro onde, a propósito da matemática, também se pode aprender alguma da melhor filosofia, seja no domínio da metafísica, da epistemologia ou até da filosofia da linguagem. Os autores cujas ideias são introduzidas e discutidas vão de Platão ao próprio autor, Stewart Shapiro, também ele um distinto filósofo da matemática, passando por Aristóteles, Kant, Mill, Frege, Russell, Wittgenstein, Hilbert, Carnap, Gödel e Quine, entre muitos outros.
Aqui fica um interessante excerto sobre um aspeto muito conhecido da história da filosofia, mas que que não deixa de ser bastante informativo.      Tanto quanto se sabe, os interesses principais de Sócrates residiam na ética e na política, não na matemática e ciência. Considerou-se como imbuído de um mandato divino para espalhar a …

Sete ideias mais baratas

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A versão Kindle do meu livro Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer (Bizâncio) estará em promoção na Amazon brasileira durante todo o dia de hoje, ao preço de 1.99 reais (preço normal: 6.64 reais).

Existir ou não existir

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Últimas notícias

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Setembro filosófico

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Filedu na Crítica

O site filedu.com, da autoria de Álvaro Nunes, prestou um importante serviço a professores e estudantes de filosofia durante vários anos, publicando materiais de inegável interesse filosófico, e também cultural em geral. O site, contudo, não está já disponível. O autor disponibilizou todos os materiais nele publicados, contudo, para que fiquem disponíveis na Crítica. Comecei hoje a publicá-los, e continuarei a fazê-lo, à medida das minhas disponibilidades, nas próximas semanas.

Corrupção que mata crianças

Vale a pena ver este vídeo sobre a corrupção angolana.

Liberdade de expressão

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Acabou de ser editado entre nós o breve, mas muito esclarecedor, livro de Nigel Warburton sobre a liberdade de expressão.

Para mais pormenores sobre o livro, incluindo o índice, um excerto e uma recensão, pode ver aqui.

O autor estará também na próxima sexta-feira no Museu Colecção Berardo para abrir a terceira sessão do colóquio "O que é a arte?" e a entrada é livre, desde que haja lugares disponíveis.


'O Medo do Conhecimento', de Paul Boghossian - TSF

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Exame de 2015

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Foi realizada ontem a prova de exame nacional de Filosofia, da primeira fase. A prova pode ser consultada aqui e os respetivos critérios de classificação aqui.

O que pensar da desobediência civil?

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A questão da desobediência civil é mais um dos temas/problemas que podem ser tratados no 10º ano, no âmbito da relação entre a ética, o direito e a política.
Aqui fica mais um pequeno ensaio (publicado com a simpática autorização da autora) em que a Carolina Silva argumenta a favor da desobediência civil.

Carolina Silva Filosofia, 10.º Ano Turma K, 6
SERÁ O RECURSO Á DESOBEDIÊNCIA CIVIL MORALMENTE ACEITÁVEL?

   A posição aqui defendida é a de que há casos em que a desobediência civil é moralmente aceitável.    A desobediência civil consiste no ato público de violação deliberada de leis consideradas injustas. É uma forma de protesto coletivo, público (como já foi referido) e normalmente pacífico, com o objetivo de modificar essas leis. Este tipo de desobediência não se pode comparar à desobediência individual e comum, pois é coletiva e pública, sendo assim impossível afirmar que é uma mera desobediência às leis. A desobediência civil pode, em meu entender, comparar-se ao Direito de Greve, a…

Warburton sobre a liberdade de expressão

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Um tema/problema que pode perfeitamente ser discutido no 10.º ano é o da liberdade de expressão, o qual pode também ser tratado no âmbito da relação entre a ética, o direito e a política.
Se até agora era difícil encontrar um bom livro de introdução ao assunto, isso deixará de ser um problema. Ainda neste mês de junho será publicado o livro Liberdade de Expressão: Uma breve introdução, de Nigel Warburton (Gradiva), com tradução de Vítor Guerreiro. Warburton que estará também no fim deste mês em Lisboa  (mais precisamente no dia 26, no Museu Coleção Berardo) para abrir o colóquio "O Que é a Arte?", com entrada livre.

O próprio Warburton apresenta assim o seu livro:
    O meu objectivo neste livro é simples. Quero apresentar uma perspectiva crítica dos principais argumentos acerca do que seja a livre expressão e por que razão nos devemos importar com isso. 
   O capítulo 1 dá‑nos uma visão panorâmica de alguns dos debates cruciais e casos recentes. No capítulo 2 esboço as princ…

O que pensar das leis de discriminação positiva?

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O problema da discriminação positiva (ou ação afirmativa) é um bom exemplo da relação entre a ética, o direito e a política. Parece-nos um bom tema para os alunos do 10.º ano discutirem nos seus pequenos ensaios filosóficos de fim de ano letivo. 
Eis um desses ensaios (publicado com a simpática autorização da sua autora), em que a Sara Rodrigues argumenta contra a a discriminação positiva.


Podem ser justas as leis que beneficiam apenas alguns grupos sociais?
Sara Martins Rodrigues, 21 10º ano, Turma K
Será a discriminação positiva feita a mulheres, a pessoas de diferentes etnias, a homossexuais e a outros grupos, aceitável e justa, unicamente porque os compensa de terem anteriormente sido vítimas de discriminação? Este assunto é importante dado que é preciso ter em conta se a discriminação positiva é compatível com a sociedade em que vivemos, na qual todos os indivíduos devem ter verdadeira igualdade de oportunidades e ver salvaguardado o princípio de que todos devem ser tratados como igu…