O que significa alguém acreditar em alguma coisa?

Acabou de ser publicado o excelente O Medo do Conhecimento: Contra o Relativismo e o Construtivismo (Gradiva), do filósofo Paul Boghossian.


Neste pequeno e muito aclamado livro de Boghossian, há várias secções que servem perfeitamente para os professores de filosofia do secundário usarem nas suas aulas, seja sobre a própria noção de conhecimento, seja sobre a avaliação da perspetiva de Kuhn acerca da ciência, entre outros aspetos.

Aqui fica um pequeno excerto sobre a própria noção de conhecimento, mais precisamente sobre uma das suas condições necessárias: a crença.

    Uma crença é um tipo particular de estado mental. Se perguntarmos qual é exactamente esse tipo de estado mental, percebemos que não é fácil responder. É claro que podemos descrevê‑lo por outras palavras, mas apenas em termos que exigem tanta explicação como falar sobre a crença. Acreditar que Júpiter tem dezasseis luas, por exemplo, é aceitar que o mundo é tal que, nele, Júpiter tem dezasseis luas; ou representar o mundo como contendo um corpo celeste particular com dezasseis luas; e assim sucessivamente.
      Ainda que não possamos analisar a crença em termos de conceitos significativamente diferentes, podemos ver claramente que, nela, três aspectos são essenciais. Qualquer crença tem de ter um conteúdo proposicional; qualquer crença pode ser considerada verdadeira ou falsa; e qualquer crença pode ser considerada justificada ou injustificada, racional ou irracional
    Considere‑se a crença da Maria de que Júpiter tem dezasseis luas. Atribuímos esta crença com a frase:  
          A Maria acredita que Júpiter tem dezasseis luas.  
    Que Júpiter tenha dezasseis luas, podemos dizer, é o conteúdo proposicional da crença da Maria. 
    O conteúdo proposicional de uma crença especifica como o mundo é, de acordo com a crença. Especifica, por outras palavras, uma condição de verdade — como o mundo terá de ser, se a crença for verdadeira. Assim,  
           A crença da Maria de que Júpiter tem dezasseis luas é verdadeira se e só se Júpiter tiver dezasseis luas.  
    Também podemos dizer que a crença da Maria é verdadeira se e só se for um facto que Júpiter tem dezasseis luas.    
(pp. 21-22)

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